Teatro de bonecos na TVERS: O programa Pandorga

Como já se mostrou, é próxima a relação de atuação entre os bonecos e a televisão. No Rio Grande do Sul, em 1960, a TV Piratini, da rede de Diários Associados, apresenta os esquetes do grupo TIM – Teatro de Marionetes.

Nos anos 1970, a programação de cunho infantil das emissoras gaúchas envolvia personagens e esquetes com bonecos, sendo que, na década seguinte, as atrações deixam de ser programetes de interprogramação para entrar nas grades regulares, como o Guaíba Criança, de 1981, que traz o personagem Remendão, de construção de Elton Manganelli e atuação do ator e diretor Roberto Oliveira.

Neste cenário de inventividade entre os produtores de TV do Estado e na boa receptividade do público, surge a ideia da criação de um programa de televisão educativo e pedagógico, com atividades que incluíssem o público infantil sem a necessidade da intermediação de desenhos animados. Assim, o Pandorga estreia na grade da TVE do Rio Grande do Sul, em agosto de 1988, com uma equipe de bonequeiros com experiência adquirida em televisão e, com menções bastante claras ao regionalismo gaúcho e a regionalidade da produção.

O grupo de atores e manipuladores que tem realizado o programa ao longo dos anos é formado por uma mescla de funcionários efetivos da emissora pública e de agentes terceirizados. Pela atração, já passaram nomes como João Brites, Laura Medina, Lu Vilela, Elton Manganelli, Lúcia Achutti, Rodrigo Najjar, Ubiratan e Tiarajú Carlos Gomes, Maria Lúcia Melão, Iara Valente, entre outros. O ator gaúcho Oscar Simch é quem permanece mais tempo no elenco, que teve coordenação de produção de Vera Vergo. A direção e produção executiva estiveram a cargo da pedagoga e atriz Maria Inês Falcão, que também interpreta personagens da atração, desde o desenvolvimento do projeto, em 1988.

A escolha de trabalhar com o teatro de bonecos foi determinante como alternativa lúdica para manter a atenção dos jovens telespectadores. Os primeiros episódios são gravados utilizando a técnica da empanada, com os atores escondidos por um suporte elevado, tendo como fundo algumas tapadeiras que faziam referência aos cômodos de uma residência.

Com textos que eram representados com um marcante sotaque porto-alegrense, a emissão conta, desde seus primórdios, com a canção Papagaio, Pandorga, do compositor gaúcho Gelson Oliveira. A escolha do nome Pandorga, alusivo ao brinquedo artesanal feito de papel, corda e bambus, que é também conhecido como pipa, ajudava na definição da proposta: um programa televisivo que fosse lúdico e criativo, aproximando das crianças as alternativas de diversão mais manufaturadas possíveis.

Podemos dizer que a metáfora da pandorga, objeto de simples execução, registra o modo de produção que tem sido eleito para a realização dos programas, que usam as técnicas de manipulação direta para dar agilidade às gravações.

A atração recebeu prêmios durante sua veiculação, entre eles, o da Associação Rio-Grande de Imprensa, a ARI, na categoria especial de TV, no ano de 1991, o prêmio Açorianos de Literatura, da Prefeitura de Porto Alegre, como destaque em mídia televisiva, em 2003 e o prêmio especial da Associação Gaúcha de Teatro de Bonecos, a AGTB, em 2004.

Nos anos 2000, é feita uma renovação do elenco de personagens, com novos bonecos e cenários, que são feitos em miniatura e aplicados em chroma key, na pós-produção do programa.

A turma do Pandorga, como são conhecidos os personagens, é composta pelas garotas Nina e Beti, os meninos Jura e Tinta e o cachorro Zé Cão. Os personagens humanos são, entre outros os apresentadores do telejornal Jornal Legal, Carlos Arroba e Anete E-mail, e o chef Priori, que dá dicas de culinária para crianças.

A confecção dos bonecos foi realizada pelo grupo A Caixa do Elefante e coordenada por Paulo Balardim e Mário de Ballentti, que já havia trabalhado em propostas para televisão, como a de Firulim, no ar entre 1985 e 1986, na extinta TV Guaíba, e que esteve a cargo da manipulação de bonecos na Turma do Arrepio, da também extinta TV Manchete e na TV Colosso, da Globo.

Em 2012, o Pandorga recebe uma encomenda de episódios novos para a rede nacional de emissoras públicas, da TV Brasil, com estreia em 2015, como destaca esta reportagem.

SOBRE O PROJETO IMAGENS MARIONETÁVEIS

O projeto IMAGENS MARIONETÁVEIS – O TEATRO DE BONECOS NA TELEVISÃO DO RS é uma realização da artista visual, jornalista e produtora cultural Yara Baungarten e apresenta uma série de postagens para a internet sobre produção de teatro de bonecos para a televisão gaúcha, desde os anos 1970 até hoje. Trata-se de um passeio pela história do teatro de bonecos e da televisão, com os principais grupos e companhias envolvidas, as técnicas de manipulação mais utilizadas nos programas e os formatos televisivos.

Yara Baungarten: artista, jornalista, pesquisadora e produtora cultural

A série de dez publicações digitais pode ser acompanhada, entre 05 a 26 de outubro de 2020, às segundas, quartas e sextas-feiras, através do Instagram e Facebook de Yara Baungarten (@yarabaungarten). A última publicação será um e-book, resultado da compilação de todo o material, também chamado IMAGENS MARIONETÁVEIS – O TEATRO DE BONECOS NA TELEVISÃO DO RS, disponível no site www.imaginaconteudo.com.

Este trabalho conta com o financiamento do Edital FAC DIGITAL RS.

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