Imagens Marionetáveis: apontamentos finais para bonecos, televisão e formatos múltiplos

Perpassadas histórias e práticas do teatro de bonecos universal para darmos conta, brevemente, da produção brasileira e regional, volta-se o olhar para as mídias tecnológicas que serviram de palco e trampolim para muitas criações. Maior destaque foi dado para a programação mundial e local na televisão, com enfoque nos programas regulares de grade de emissoras, mas muitos outros vieses da presença do boneco na mídia podem e devem ser levados em conta.

Se, pela televisão, os bonecos tornam-se os heróis, os vilões e os anti-heróis que são configurados, para John Bell (2005), como um dos ícones culturais da pós-modernidade, há uma vasta gama de inserções, adaptações e adaptações de e para a “videosfera performática” descrita por Régis Debray (1993), que abarca o domínio da brincadeira, do jogo e do entretenimento e vamos ver esta figura aparecer no teatro, com a tradição do teatro de marionetes do Leste Europeu, com o milenar teatro de sombras oriental, com os bonecos gigantes do grupo Bread and Puppet e com o espetáculo multimidiático do Blue Man Group.

Nas artes visuais, com Man Ray e seus Mr. and Mrs. Woodman e a boneca de Hans Bellmer; nos quadrinhos, com a graphic novel A Trágica Comédia ou A Cômica Tragédia de Mr. Punch, de Neil Gaiman e David McKean; no cinema, com a vanguarda da animação em stopmotion dos tchecos Jiří Trnka e Jan Švankmajer, com os bonecos das animações dirigidas por Tim Burton, com os inúmeros filmes de cinema em animação com computação gráfica e 3D, com os procedimentos inovadores de Norman McLaren e a instituição do Office National du Film do Canadá; nos brinquedos Transformers, que já foram desenhos animados e que ocupam agora a tela grande em blockbusters; nos videogames, com a série God of War e também as adaptações em Lego para sucessos de Hollywood; nos videoclipes, com o apresentador virtual Max Headroom, na Inglaterra dos anos 80; em programas televisivos como os americanos Muppets, Vila Sésamo e os brasileiros TV Colosso e Pandorga; na publicidade, como recursos para comerciais, como o dirigido pelo cineasta indie Spike Jonze para a Ikea.

Os bonecos integram uma formação cultural e a reconfiguração das antigas formas de fazê-los atuar no teatro, colocadas em meios tecnológicos – como o cinema, a televisão e os videogames – tornam-se os partícipes do imaginário pós-moderno, pois seguem eles as eternas leis da imitação que nos propõe Michel Maffesoli (2012), lembrando-nos que “o que tem que acontecer inelutavelmente advém” (p. 115).

Um retorno nostálgico que consolida a memória e dela faz arte, faz comunicação, cria narrativas, em um enraizamento dinâmico, como o defendido por Maffesoli (2012a). No Rio Grande do Sul, atualmente, outras iniciativas se destacam como o programa O Mundo da Leitura, realizado para a TV UPF, com alcance universitário e regional, na cidade de Passo Fundo, interior do Estado, com retransmissões na TVE e internet e as produções do grupo teatral Nós, na Capital Porto Alegre, que recria contos de fadas em vídeos com bonecos para o Youtube.

Além disso, durante a pandemia de covid-19 em 2020, o projeto FAC Digital RS, do Pró-Cultura/SEDAC e da Universidade Feevale contemplaram mais de 20 propostas para webdivulgação com a temática ampla do teatro de bonecos, entre oficinas educativas, interpretações, e-book, lives e webinários que trataram de sombras, formas, figurinos, narrativas e a história do gênero.

A produção sempre renovada destes programas e espetáculos vem para corroborar com a noção de Maffesoli (2012a) do enfant eternel (eterna criança), com jovens adultos coordenando os trabalhos, tendência que se encontra também na temporada mais recente do Pandorga. É na necessidade contínua de renovação dos gêneros, sem deixar de lado o antecedente técnico e o conhecimento da senioridade, em um processo que surge com um determinado esquema de “possessão mágica”, convenciona Maffesoli, e que, defendemos estar espelhada na manipulação que os bonecos têm sobre nós, e na manipulação imaginal que fazemos com suas histórias.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BELL, John (org.). Strings, hands and shadows: a modern puppet history. Detroit: Wayne State University, 2005.

DEBRAY, Régis. Vida e morte da imagem. Petrópolis: Vozes, 1993.

MAFFESOLI, Michel. O tempo retorna: formas elementares da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

SOBRE O PROJETO IMAGENS MARIONETÁVEIS

O projeto IMAGENS MARIONETÁVEIS – O TEATRO DE BONECOS NA TELEVISÃO DO RS é uma realização da artista visual, jornalista e produtora cultural Yara Baungarten e apresenta uma série de postagens para a internet sobre produção de teatro de bonecos para a televisão gaúcha, desde os anos 1970 até hoje. Trata-se de um passeio pela história do teatro de bonecos e da televisão, com os principais grupos e companhias envolvidas, as técnicas de manipulação mais utilizadas nos programas e os formatos televisivos.

Yara Baungarten: artista, jornalista, pesquisadora e produtora cultural

A série de dez publicações digitais pode ser acompanhada, entre 05 a 26 de outubro de 2020, às segundas, quartas e sextas-feiras, através do Instagram e Facebook de Yara Baungarten (@yarabaungarten). A última publicação será um e-book, resultado da compilação de todo o material, também chamado IMAGENS MARIONETÁVEIS – O TEATRO DE BONECOS NA TELEVISÃO DO RS, disponível no site www.imaginaconteudo.com.

Este trabalho conta com o financiamento do Edital FAC DIGITAL RS.

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